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Levantando reflexões: a arte e a pós-humanidade - Vendem-se e Crucificam-se Infãncias

27 de julho de 2018

Levantando reflexões: a arte e a pós-humanidade – Vendem-se e Crucificam-se Infâncias[1]

Raising reflections: the art and the post-humanity - They sell and crucifying childhoods

Resumo

Proponho neste ensaio, refletir sobre o conceito de pós-humanidade (Sorgner, 2012; Ferrando, 2010; Santaella, 2010) e a relação deste com o contexto brasileiro de infâncias em vulnerabilidade social, as quais, em sua maioria, não possuem plenos direitos sociais e fundamentais; e a relação desta reflexão com a teoria da arte (Eco, 2003; Wood,2003; Smith, 2006), visualizando uma estética e arte social neste período denominado pós-humano. Apresento fundamentos teóricos propondo a arte social na qual insiro meu trabalho artístico, evitando qualquer análise sobre o mesmo, mas sim, mostrando os caminhos que esta produção de arte poderá percorrer em um futuro próximo, a partir das séries: “Vendem-se Infâncias  e Crucificam-se Infâncias”.

Palavras-chave: Arte Social, Pós-humanidade, Estética, Infâncias.

Abstract

In this essay I propose a reflection on the post-humanity concept (Sorgner 2012; Ferrando, 2010; Santaella, 2010) and its relationship with the Brazilian contexts of social vulnerability childhood, wich the most part of them do not have fundamental and social rights;  and  the relationship with the theory of art (Eco, 2003; Wood 2003, Smith, 2006), viewing social art and an aesthetic in this period called post-human. My aim is to focus on the theoretical foundation, proposing the social art which I put my artistic work in, avoiding an analysis of my own artistic production, getting results to be further analyzed for the future artistic production of “They sell childhood” showcases and “Crucifixions of childhoods”.

Key-words: Social Art, Posthumanity, Aesthetics, Childhoods

 

Origem das reflexões

Como artista, professora e pesquisadora, entrei em contato com a filosofia pós-humana sabendo que ela está latente e em grande efervescência de propostas, pesquisas, artigos, seminários e encontros principalmente no continente Europeu. O fato de a filosofia pós-humana questionar a supremacia humana sobre os seres vivos, animados e inanimados, faz pensar que esta seria pertinente, por um lado, a espaços geográficos e políticos, nos quais os humanos possuam seus direitos fundamentais e sociais atendidos. Por outro lado, contiguamente a um cenário pós-moderno e pós-humano, o Brasil está distante de, sequer, ter atendido aos direitos fundamentais e sociais dos humanos. Esses direitos, segundo literatura jurídica, agregam e abarcam as diversas dimensões de direitos, que atualmente podem denominar-se direitos de primeira, segunda, terceira dimensões e os “novos” direitos (WOLKMER, 2003. E, nesse sentido, proponho, neste ensaio, uma arte reflexiva buscando uma pós-humanidade que pense este mundo no qual vivemos, levantando as seguintes reflexões: como pensar uma pós-humanidade sem levar em conta o estado de carência e a vulnerabilidade de crianças em várias partes do mundo, incluindo o Brasil? Quais reflexões podem nos auxiliar a acreditar em vidas humanas, seres vivos, seres e coisas, ou pós-humanos mais sensíveis ao Outro? De que forma a arte pode nos auxiliar a promover a sensibilização ao Outro?

Levanto essas questões a partir de proposições sugeridas nos textos de minha tese de doutorado (2008-2011) e da minha prática como artista plástica. Na tese de doutorado, apresento o conceito de Escultura Social da obra do artista alemão Joseph Beuys (1921-1986), traduzindo-a para o contexto brasileiro, analisando que, segundo Beuys (apud Kuoni, 1993, p.19), a Escultura Social está relacionada com a forma como pensamos e falamos, como moldamos e formarmos “o mundo no qual vivemos”, sempre em “processos contínuos, em estado de mudança”. Joseph Beuys, com este conceito, permeou toda a sua produção (Bunge, 1998) realizou: desenhos, esculturas, performances, instalações, vitrines, cartazes, vídeos, objetos e cartões postais (múltiplos, na linguagem do artista). Quando este artista propôs transformações contínuas, havia preocupação com a transformação do homem e seu meio ambiente, frente a problemas ontológicos envolvendo a política, a história, a ciência, a arte, a ecologia e a filosofia entre outros problemas. A partir desses fundamentos, observando o cenário brasileiro no qual vivemos, refleti que a desigualdade social entre os grupos humanos é um fator que sempre trouxe e traz desconforto, desassossego aos olhos sensíveis ao Outro; e outras vezes, pode trazer motivação, sensibilização e solidariedade para tentar transformar esta desigualdade: crianças e adolescentes em vulnerabilidade social, tanto quanto de etnia europeia (miscigenada ou não), cabocla, negra e indígena. Diferentemente do cenário europeu vivido por Joseph Beuys, nossa realidade no Brasil pode propor arte voltada à busca de transformação de pensamentos, palavras e ações para mudarmos em atitudes concretas esta nossa realidade. Diante deste quadro teórico e artístico, a tradução final, em minha tese, sobre o conceito de Escultura Social a partir de Beuys denominou-se “FALADOOUTRO/ESCUTAIMAGEM”. Assim, proponho que o pensamento não se constrói a partir das palavras escritas, e sim, do vivido e do ouvido. Mas as palavras “ditas” e as imagens afetam nosso pensamento no “modo-de-querer-dizer”[2]  para se construir um mundo (VICINI, 2011, p.191). Minha preocupação em relação ao “ser” humano deu-se a partir da constatação, desde a minha infância, das diferenças culturais entre os grupos humanos entre si, entre os habitantes locais da cidade de Xanxerê (SC). Tratava-se, naquela época, da forma pela qual os índios Kaingangues e Guaranis eram vistos por nós, imigrantes italianos, alemães, poloneses e portugueses, habitantes da cidade de Xanxerê (SC), na qual vivo. A partir dessa percepção, minha arte foi crescendo em direção ao questionamento empiricamente filosófico sobre a realidade vivida em meu contexto, e, aos poucos, buscando compreensão e ação que direcionaram essa percepção à pesquisa científica na arte.[3]

Humanismo e pós-humanismo

            Ao entrar em contato com a filosofia pós-humanista, em Roma[4] (2013), perturbou-me o fato de estarmos falando em uma pós-humanidade, tendo ainda, esta humanidade, que já é pós-humana, muitos problemas para serem redimensionados ou revistos.   Dessa dúvida surgiu a necessidade de rever os fundamentos do humanismo do século XV, tentando perceber suas premissas em comparação ao pós-humanismo recente, uma vez que o humanismo foi um período de mudanças sociais, políticas, morais, literárias, artísticas, científicas e religiosas, não restringido suas possibilidades a um novo pensamento filosófico[5] (REALE e ANTISERI, 1990, p.16). Passando pela história da Filosofia, em Reale e Antiseri:

O termo “humanismo” parece ter sido usado por F.I. Niethammer : “área cultural coberta pelos estudos clássicos e seu espírito próprio. O termo “humanista” nasceu por volta do século XV[...] para indicar os professores e cultores da gramática, retórica, poesia, história e filosofia moral. (Célio e Cícero), “humanitas” significava aproximadamente aquilo que os helênicos indicavam com o termo “paideia”, ou seja, educação e formação do homem. [...] Com efeito são essas disciplinas que estudam o homem naquilo que ele tem de peculiar, prescindindo de qualquer utilidade pragmática. Tomando sempre essencialmente a cultura clássica, latina e grega como fontes espirituais e culturais.(REALE e ANTISERI, 1990, p.17)

            Em meu ver, o significado desse termo está impregnado das noções de formação e de descoberta do próprio ser, como no sentido de melhoria do pensamento e da vida do homem a partir do conhecimento filosófico e científico da cultura Clássica[6] e, ainda, a imanente curiosidade e a percepção do homem daquele tempo, século XV e XVI. Para Garin (apud REALE e ANTISERI, 1990, p.23), o humanismo “significou tempo e memórias, sentido de criação humana, da obra terrena e da responsabilidade”. Visualizo aqui, a derrocada da dependência do homem com o catolicismo, da religiosidade imposta pelo poder da Igreja, contrapondo-se à ciência, à filosofia e às artes. O homem torna-se o centro do universo.

É com esta afirmação do homem renascentista e humanista, que o pós-humanismo vem propor uma revisão do significado da relação entre o ser humano e o mundo vivido, principalmente o mundo das tecnologias e da ciência[7]. Para compreender a definição sobre pós-humanismo, apresento três autores, os quais pesquisam na atualidade este conceito. Primeiramente, a pesquisadora e professora brasileira, Santaella (2010), que define: “o conceito de pós-humano, juntamente com outros similares, surgiu concomitantemente à emergência da revolução digital e da cibercultura. Trata-se de um conceito que tem buscado enfrentar os dilemas que as interfaces entre seres humanos e máquinas inteligentes estão trazendo para a fisiologia, a ontologia e a epistemologia do humano”. [8]

            Já, para o filósofo alemão Stefan Lorenz Sorgner, o conceito é mais objetivo, esclarecendo a preocupação do que ele determina como movimento cultural e filosófico, que antagoniza com o antropocentrismo vivido atualmente na maioria dos países no mundo, e rejeita a transcendentalidade, a favor do imanentismo (SORGNER & GRIM, 2012, p.11).

Pós-humanismo é um movimento cultural e filosófico, que está fundamentado nos fundamentos filosóficos da Europa continental e ao contexto da literatura e da cultura Anglo-americana, e está intimamente ligado à pós-modernidade, porque é uma consequência imediata da mesma. Em contraste com a pós-modernidade, que é baseada principalmente no perspectivismo, pós-humanismo combina o perspectivismo com uma afirmação do naturalismo, materialismo e outro tipo de imanentismo. Pós-modernistas reivindicam que todas as perspectivas são interpretações e depositam essa introspecção a vários campos de discursos e aspectos da vida no mundo. Pós humanistas concordam com esta introspecção. Entretanto, eles também afirmam que embora imanentismo seja uma interpretação, ele é o mais plausível a ser seguido, porque ele não depende da metafísica, entidades de dois mundos que ainda não somos capazes de compreender a fundo.” (SORGNER & GRIMM, 2012, p.12) (T.N)

Os autores afastam o transcendentalismo, promovendo o naturalismo em sua explicação sobre os fenômenos físicos, e é neste sentido que proponho uma estética voltada ao fenômeno social. Este fenômeno social de vulnerabilidade social brasileira é resultado de falha da ação humana no poder da superestrutura. Se a estética de nosso tempo pós-humano é digital, ela promove uma perfeita imagem da realidade, mas sem perder o contato com o transcendental inerente e cultural do pós-humano.

Iniciando uma reflexão sobre o humanismo e o pós-humanismo, percebo que o humanismo se apoiou nos textos da antiguidade clássica e, no tempo atual - o pós-humano - acredito podermos vislumbrar sua possível origem, a partir do século XVII e XVIII, com a chamada Revolução Científica em pesquisadores como Galileu e Newton; até chegarmos ao ‘Contra-o-método’ de Feyerabend[9] (1924-1994). Não pretendo analisar essas teorias, mas situar esses autores como marcos de transformação da ciência, caracterizando minha proposta de discutir a pós-humanidade revisitando a forma pela qual o pensamento e as ações humanas podem ser ponderadas neste momento atual, dando enfoque para a arte como percepção social: Arte Social neste movimento denominado pós-humano.

Para direcionar a necessidade de ponderar a diferença social vivida neste momento, por vezes inflexível e insensível em relação ao Outro e, em muitas vezes, de extraordinária adaptação entre homem e tecnologias cibernéticas, que inicialmente caracterizou o conceito pós-humano, apresento algumas definições que contornam esse termo. Como por exemplo, as noções de pós-humano e de pós-humanista, no qual a primeira definição se aplica “a um campo amplo de estudos, incluindo a robótica, nanotecnologia e bioética” [10]. E pós-humanista “a uma mudança no paradigma humanista e sua ideologia antropocêntrica” (FERRANDO, 2012, p.10). É neste sentido de “mudança no paradigma humanista”, que este ensaio pretende refletir: a realidade social que a arte pode desvelar, motivando o repensar das atitudes humanistas dentro do movimento e da filosofia pós-humanista, pensando a diferença de direitos fundamentais e sociais entre os países ditos de primeiro mundo e o Brasil. Compreendo que ambos os termos sugerem que superemos a noção de humanismo.   Esta superação do humanismo também poder estar voltada às “falhas” humanistas, não apenas em sua relação antropocêntrica, tecnológica e ambiental, mas sociais e culturais, tendo a arte como propulsora de uma percepção estética de uma realidade que não pode mais permanecer oculta; a lente digital e o acesso global à informação provindo das tecnologias capta todo o cenário.

  Na proposta metodológica do pós-humanismo a percepção de Ferrando (2012, p. 13-17) faz alusão à ambiguidade interna entre os essencialismos denominados resistente e hegemônico, sendo que o primeiro trata do radicalismo pelo qual as minorias (raciais, religiosas, homossexuais, etc) separam-se em grupos; e o essencialismo hegemônico, no qual, por exemplo, escritores brancos abordam sempre citações de brancos. Na teoria e na prática pós-humanista, há que se considerar a produção de conhecimentos em todos os centros geográficos e intelectuais abrangendo todas as diferenças entre grupos humanos, evitando qualquer tipo de separação ou privilégios entre esses. Também Haraway propõe refletir sobre a questão feminista em sua essência:

A luta teórica e prática contra a unidade-por-meio-da-dominação ou contra a unidade-por-meio-da-incorporação implode, ironicamente, não apenas as justificações para o patriarcado, o colonialismo, o humanismo, o positivismo, o essencialismo, o cientificismo e outros “ismos”, mas também todos os apelos em favor de um estado orgânico ou natural. Penso que os feminismos radicais e socialistas-marxistas têm implodido também suas/nossas próprias estratégias epistemológicas e que isso constitui um passo valioso para se imaginar possíveis unidades políticas. Resta saber se existe alguma “epistemologia”, no sentido ocidental, que possa nos ajudar na tarefa de construir afinidades eficazes. (HARAWAY, 2003 apud THOMAS, p.51)

Compreendo que a filósofa Haraway também propõe uma pluralidade de percepções que não segregue a condição natural de “sermos” pertencentes a grupos distintos sejam em questões de raça, de gênero, ou qualquer outra forma de formação de identidades. A condição social nos países de terceiro mundo, como no caso do Brasil, merece um olhar que a arte pode desencadear uma vez que pode demonstrar um direcionamento para “além” do humanismo que não conseguiu promover “vida” com dignidade, e isto se torna gritante em grande parte de nossa população.[11]

Se o humanismo encontrou seus fundamentos na formação, no sentido da vida humana e na cultura produzida pelo homem, o pós-humanismo considera fundamental a busca da apropriação pragmática presente no ciborgue (Haraway apud Tomaz, 2000), no planeta, no universo, nos seres vivos, e não a subjetividade e pragmatismo do próprio homem. Antropocentrismo que na visão deste movimento, não conduziu o planeta a bons resultados de relações entre homem, meio ambiente e tudo o que promove a sustentabilidade do ser.

A imagem do ciborgue pode sugerir uma forma de saída do labirinto dos dualismos por meio dos quais temos explicado nossos corpos e nossos instrumentos para nós mesmos. Trata-se do sonho não de uma linguagem comum, mas de uma poderosa e herética heteroglossia. Trata-se da imaginação de uma feminista falando em línguas para incutir medo nos circuitos dos supersalvadores da direita. Significa tanto construir quanto destruir máquinas, identidades, categorias, relações, narrativas espaciais. Embora estejam envolvidas, ambas, numa dança em espiral, prefiro ser uma ciborgue a uma deusa. (HARAWAY, apud TOMAZ, 2000, p.99)

Apresentando o refletir sobre a ação feminista que Haraway deduz na conclusão de seu livro “Manifesto Ciborgue”, vejo nesta visão da autora uma possibilidade de desvelar os “supersalvadores” entre o bem e o mal de uma realidade social, que requer a destruição e a construção e devires de uma arte social Outra.  

Ao descobrir a profundidade e a imanência intelectual, a relevância filosófica e ontológica deste movimento e filosofia pós-humana, principalmente na Europa, visualizei o paradoxo vivido em nosso país: sim, vivemos em um momento pós-humano, mas temos ausências de direitos fundamentais e sociais ‘humanos’. A partir disso, iniciei este texto e minha proposta artística para o ano de 2014.

A arte

            No contexto da arte, vejo que a partir das vanguardas, anteriores a 1945, o panorama da arte se exprime como incompletude, complexidade e devires que as linguagens da arte posicionam na arte contemporânea, essas, mostrando-nos, que o contemporâneo está aberto, entrecruzado em suas linguagens artísticas (ECO, 2003). No período de 1960, Umberto Eco (2003) nos mostra sua visão das premissas que anteciparam a abertura da obra de arte para o mundo vivido pelo artista, considerando a ciência, a comunicação e a arte contemporânea em si, como obra aberta, descentralizada de sua representatividade histórica e crítica: o artista, suas regras técnicas, o estético, cedem espaço para a realidade vivida, a experimentação, abrem os olhos para o processo e não buscam apenas um resultado já esperado. Wood (2002, p.27), faz referência a que nesse período, fazendo relação com a arte conceitual, a estética necessariamente não precisava ser dicutida, “ficando entre parênteses”, pois uma das questões principais “relacionava-se a quem competia dizer se algo era ou não uma obra de arte, se tinha ou não um valor estético”. Nesse sentido, vemos que a estética e a crítica perdem o sentido de verdade absoluta e encontramos verdades interpretadas pela leitura de mundo da arte e do artista; e, posteriormente, pela leitura de mundo do público, do sistema e da própria história da arte. E essa multiplicidade de conhecimentos, em minha compreensão, vem mostrando-nos o caminho de significados que podemos conceituar e refletir a arte a partir da filosofia hermenêutica, que estabelece a arte como jogo (GADAMER, 1997), considerando a obra, o mundo, a subjetividade e o espectador. [12]

               A epistemologia da arte se ampliou, abrindo espaços, dentre várias tendências artísticas, para o que Lucie-Smith[13] (2006) denomina “Arte engajada e globalização” [14], lembrando que esta vertente artística se vê como “porta-voz de grupos que, de alguma maneira, consideram-se desfavorecidos”, citando entre as propostas, a defesa da arte africana por artistas afro-americanos; a arte feminista; arte política; direitos homossexuais; defesa de minorias locais (globalização); a arte aborígene entre outros. Neste direcionamento artístico e estético, quero mencionar a pertinência de revermos o que Joseph Beuys propõe como Arte Social:

Além da preocupação do pensamento como imagem, havia a preocupação da provocação do pensamento como algo essencial para a compreensão da arte em sentido amplo, a arte ampliada, como se pode analisar no cartão postal Wer nicht denken Will fliegt raus. Sich Selbst  (1977). Seguindo a reflexão de Bunge (1993), Beuys pedia aos próprios artistas que pensassem na arte com raciocínio, provocando a consciência social do artista (Escultura Social). “O artista social deverá ocupar, mais do que qualquer outra pessoa atuante, um patamar acima do sentimento naquele campo pleno da consciência, no qual caminhos do raciocínio em passos lógicos deverão ser percorridos sempre de novo sob um respectivo regime de controle claro, para encontrar o conceito correto, para fazer dele já no pensamento uma realidade espiritual e traduzi-lo então no ato” (BUNGE, 1993, p.36).

            Se Joseph Beuys pensava a arte como forma de transformação do homem e da sociedade, seu posicionamento social estava claramente voltado para uma democracia, como indicou em grande parte de sua produção artística, encontrando um caminho entre os sistemas oriental e ocidental, capitalismo e comunismo ou socialismo. Sua atitude política visava ao raciocínio e à atitude, a partir do conceito de Escultura Social.

 

Pós-humanismo: arte social para obtenção dos direitos sociais (de segunda dimensão)

            Possuímos o Direito à Vida, à Liberdade; mas temos nós Direito à Segurança, Propriedade e Igualdade? E, em relação aos Direitos de Segunda Dimensão: Direitos sociais – educação, saúde, alimentação, moradia - temos acesso a esses direitos? E os Direitos de Terceira Dimensão que são: “os direitos metaindividuais, direitos coletivos e difusos, direitos de solidariedade”?  Wolkmer (2003, p.9-10) discorre a partir de outros autores[15], esclarecendo que esses direitos, “incluem-se aqui os direitos relacionados ao desenvolvimento, à paz, à autodeterminação dos povos, ao meio ambiente sadio, à qualidade de vida, ao direito de comunicação, etc.”.

            Também temos os Novos Direitos, que chegam aos de quarta e quinta dimensões, que envolvem biotecnologia, bioética, regulação de engenharia genética, cibernética em geral (WOLKMER, 2003). Os países de primeiro mundo possuem acesso aos primeiros direitos e aos “novos” direitos, e no Brasil, ou na América Latina, “alguns grupos” conseguem por meios privados, atingir esses direitos. Sem a pretensão de promover uma reflexão acerca da “jurisprudência do Direito”, sugiro que o pós-humanismo em nosso país, seja ação e reflexão racional, projetivista, que possa direcionar-se como inclusão dos Direitos Fundamentais e Sociais[16] em todos os níveis de população, a começar pelo Direito à educação, à infância protegida e à garantia de infraestrutura. Não estou sugerindo diferenciação ou exclusão, ou, ainda, segregando a população brasileira ou dos países que já possuem pleno desenvolvimento de seus Direitos até a quinta ou quem sabe, sexta dimensão, pois algumas camadas da nossa sociedade brasileira usufruem desses Direitos anteriormente citados: empresas, universidades, algumas escolas, famílias mais favorecidas financeiramente, instituições públicas e privadas em todos os gêneros. As tecnologias são necessárias para o melhoramento da vida e do universo no qual vivemos.

            Pensar sobre as condições de vivência da infância no Brasil e em diversos países, nos remete às ações sociais e políticas desenvolvidas por agências, instituições e organizações que atuam e promovem interferências em países como o Brasil, Índia, África, Bolívia, entre outros, a partir de projetos de proteção, saúde, afeto, educação, como a UNICEF, UNESCO, ONU, “Save the Childreen”, “Child Africa”, etc. Eu visualizo essas ações como interferências em regime de emergência, para salvar vidas. Essas ações promovem, por exemplo, a diminuição da mortalidade, violência, ignorância e infraestrutura de muitos países pobres. Mas são interferências as quais os governos de países pobres “permitem” que essas organizações desenvolvam, desde que não existam interferências em políticas públicas que poderiam resolver definitivamente os problemas sociais, ambientais, culturais e humanos. Ou, ainda, podem ser ações ou uma forma de promover a continuidade da pobreza e desproteção das infâncias no mundo. Este pode ser o começo de um posicionamento global em relação a crianças e adolescentes em todo o mundo.

 Minha questão se torna óbvia: Por que não existem sanções ou intervenções políticas internacionais para garantir direitos sociais e fundamentais para crianças e adolescentes que vivem em países subdesenvolvidos, cuja população é vulnerável socialmente?

Proponho a reflexão sobre uma atitude de reavaliação humana, reconstrução do humano social, na perspectiva pós-humana, voltada a direcionamentos que promovam a melhoria de vida de crianças em vulnerabilidade social, educacional, habitacional, afetiva e cultural, a partir do título de minha produção artística recente (Figuras 1 e 2): “Vendem-se e Crucificam-se Infâncias”.

Figura 1 -Vendem-se Infâncias – 0,62cm x 0,28cm – isopor, soft, tinta acrílica e vitrine de vidro – Magda Vicini - “Direito à vida e alegria”

 

Figura 2 – Contra-imagem pós-humana – Crucificação de infâncias – Tinta acrílica s/papel

 

Esta ação artística surgiu após entrar em contato com crianças e adolescentes que participam de encontros promovidos por um grupo de voluntários, coordenados pela Igreja Católica, da qual faço parte. Dentre muitas questões que refleti e ainda reflito ao conhecer essas crianças e adolescentes, ressalto a questão sobre a importância da infância em nossas vidas, na vida de todas as pessoas.

Essa infância que para muitas dessas crianças é roubada, violentada e escravizada; e para essas citadas e outras, é uma infância privada de casa, de saúde, de educação, de infraestrutura, de praça, de tantos outros direitos. Não existe possibilidade de reparação à infância que é trocada por maturidade precoce, distúrbios emocionais, problemas cognitivos ou a própria vida.

Nesta produção, busquei trabalhar com um material que pudesse acolher e proteger as infâncias criadas em tinta acrílica. O tecido soft, pela maciez e suavidade de toque, poderia ser a cobertura perfeita para abrigar as crianças e adolescentes. Para manter o calor do tecido macio que aquece essas infâncias, escolhi o isopor, por sua característica térmica e leve, pareceu ser o material ideal, além de lembrar o conceito de Escultura Social de Joseph Beuys (calor que provoca transformações). E, para isolar essas infâncias de qualquer tipo de violência ou agressão, a vitrine de vidro, como significado de isolamento, e ao mesmo tempo como uma forma de exibir as infâncias para a venda conceitual. Foram criados os tags com os preços de venda de cada infância pela designer Bianca Vicini Bonotto.

 

Figura 3 – Detalhe da obra: tag com o preço de cada Infância: “Direito à vida e alegria”

 

Figura 4 – Contra-imagem – Crucificação de Infâncias na ONU

Foto: Henry Mühlpfordt – Composição da imagem: Bianca Vicini Bonotto

 

Não há como comprar ou reviver uma infância. Não há uma medida de valor que possa promover um significado, uma definição, uma substituição ou a troca dessas infâncias, mesmo sendo um período de momentos difíceis - sejam estruturais ou emocionais - para algumas dessas crianças e adolescentes. Acredito que, se as crianças brasileiras tivessem garantias de seu direito à educação, à infância protegida e infraestrutura para “habitar” (Heidegger, 1951), seja afetivamente, fisicamente e moralmente, elas não precisariam passar por momentos de carência absoluta, de violência física, sexual e psicológica, como atualmente vivem. Vamos citar algumas informações sobre as condições de infância no Brasil e no mundo:

A violência é um importante problema de saúde pública em si, afetando diretamente milhões de pessoas a cada ano. Por exemplo, a OMS estima citado no estudo do Secretário-Geral da ONU sobre Violência Contra estado Crianças que cerca de 53 000 crianças são assassinadas a cada ano, e que a prevalência de relações sexuais forçadas e outras formas de violência sexual envolvendo toque, entre meninos e meninas menores de 18 anos , é de 73 milhões (ou 7%) e 150 milhões (ou 14%), respectivamente.[17]

A PENSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), realizada em 2012 com alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, revela dados preocupantes com relação à violência cometida contra adolescentes. A pesquisa recolheu dados sobre diversas características das agressões: violência verbal, física, simbólica, praticada por colegas de escola, por familiares e uso de armas brancas ou de fogo.

 “Somente em 2010, segundo dados da pesquisa “Mapa da Violência”, edição 2012, 24 crianças e adolescentes (na faixa etária de 1 a 19 anos) foram assassinados por dia. Dos estudantes pesquisados, 10,6% declararam que sofreram recentemente agressão física por adultos da família. Com relação ao envolvimento em brigas com armas, 7,3% dos estudantes se envolveram em brigas com arma branca e 6,4% com arma de fogo. As agressões verbais sofridas no ambiente escolar também foram pesquisadas, 35,4% dos alunos já se sentiram humilhados com as provocações dos colegas de escola. Já 20,8% dos alunos declararam já ter humilhado e magoado algum de seus colegas.

“Os factos estão à vista. Este terrível conflito está a afectar 2.3 milhões de crianças. Estão a ser mortas crianças porque são cristãs ou muçulmanas. As crianças estão a ser obrigadas a fugir das suas casas e a esconderem-se para evitarem os ataques. As crianças estão a assistir a actos de uma enorme violência, estão a ser recrutadas por grupos armados – possivelmente umas 6.000... Estes ataques brutais são uma afronta à humanidade,” acrescentou Lake.[18]

A violência sexual é o segundo tipo de violência mais comum contra crianças de zero a nove anos. Com 35% das notificações, ela está atrás apenas da negligência e abandono (36%). Os números preliminares fazem parte de um levantamento inédito divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Saúde, com base em dados do sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA). De acordo com o VIVA, em 2011 foram registradas 14.625 notificações de violência doméstica, sexual, física e outras agressões contra crianças menores de dez anos.[19]

            O Brasil registra três denúncias de abuso sexual de crianças e adolescentes por hora. Repórteres ouviram relatos dramáticos de vítimas e dos familiares de quem já sofreu esse tipo de violência.[20]

Há uma nova estética/filosofia da arte, da relação entre os seres vivos, do comportamento social e do Direito, em consonância com pesquisas e recursos tecnológicos, biotecnológicos e genéticos. Proponho que esta estética possa voltar-se também ao pós-humano social, a favor de vidas com melhores condições de ”ser” pós-humano, cumprindo os Direitos Fundamentais e Sociais, às crianças e aos adolescentes do século XXI: Vendem-se e crucificam-se Infâncias. A FALA/ESCUTA do Outro, de sensibilização ao Outro que busco neste movimento, tem relação com as “falhas humanas” que podem ser revistas neste momento pós-humano: ausência de direitos fundamentais e sociais.

A sensibilidade denominada aísthesis me parece ser pertinente e necessária às relações humanas, à organização do vivo, organização das máquinas[21], com o Outro. Principalmente em países sem direitos fundamentais e sociais garantidos. Por que não agregar a aísthesis à condição pós-humana e sua arte? Neste aspecto a proposta ciborgue pode nos ajudar a refletir em Haraway:

A imagem do ciborgue pode ajudar a expressar dois argumentos cruciais deste ensaio. Em primeiro lugar, a produção de uma teoria universal, totalizante, é um grande equívoco, que deixa de apreender – provavelmente sempre, mas certamente agora – a maior parte da realidade. Em segundo lugar, assumir a responsabilidade pelas relações sociais da ciência e da tecnologia significa recusar uma metafísica anticiência, uma demonologia da tecnologia e, assim, abraçar a habilidosa tarefa de reconstruir as fronteiras da vida cotidiana, em conexão parcial com os outros, em comunicação com todas as nossas partes. (HARAWAY, apud TOMAZ, 2009, p.98-99)

A responsabilidade sobre a diversidade, a diferença, a precariedade e a potencialidade que envolve o ser social é tarefa que o humanismo não conseguiu resolver.  Isto porque a percepção metodológica pós-humana pretende não segregar ou hegemonizar (Ferrando, 2012) as denominadas minorias ou maiorias sociais, mas, sim, as vê como integrantes desse universo, com direitos e diferenças, evitando a segregação (racial, feminista, etc.) que afasta seres humanos, seres vivos, tecnologias, e o universo entre si e a nós mesmos. O “desvelar” heideggeriano (2000), é a proposta que as lentes digitais do pós-humanismo podem trazer para o “pensar, construir, habitar”, o cuidar e agir deste estar-no-mundo atual.

Figura 5 – Contra-imagem – Crucificação de Infâncias no Congresso Nacional - Brasil

Foto: Roberto Stuckert - Composição das imagens: Bianca Vicini Bonotto

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRANCO, Lucia Castelo. A tarefa do tradutor, de Walter Benjamin: quatro traduções para o português. Belo Horizonte: Ed. Fale, 2008.

BUNGE, Mathias. Joseph Beuys. Das Plastische Denken – Werbun für einen anthropologischen Kunstbegriff. . Heidelberg: Edition Braus, 1998.

CANCLINI, Néstor. A socialização da arte: teoria e prática na América Latina. Tradução de Maria H. R. da Cunha e Maria Cecília Q. M. Pinto. São Paulo: Editora Cultrix, 1984.

ECO, Umberto. Obra aberta: forma e indeterminação nas poéticas contemporâneas. São Paulo: Editora Perspectiva, 2003.

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[1] Este ensaio foi primeiramente apresentado na “6th Conferência Além do Humanismo: Pós-humano Político”, na Grécia – Universidade de Mytilini, setembro de 2014, sob o título de “Raising Revlextions: The Art and the Pósthumanity – they sell childhood”.

[2] BENJAMIN, Walter (apud BRANCO, 2008, p.28-30).

[3] www.magdavicini.com.br.

[4] The Posthuman-Rome, 11-14 Setembro de  2013. 5th Beyond Humanism Conference.

[5]  Especulamos que, da mesma forma, o pós-humanismo, pretende uma reflexão que possa atingir todas as áreas do conhecimento, pensando a pós-humanidade.

[6] P.O. Kristeller (1905 – 1999). Para Kristeller, para compreender o humanismo, “seria necessário dedicar atenção à tradição aristotélica” (apud Reale e Antiseri, 1990, p.23).

[7] Faço alusão aqui aos movimentos e conceitos relativos ao pós-humanismo e trans-humanismo, sendo que este último propõe a melhoria do ser humano a partir da biologia genética, medicamentos que promovem a cognição e a longevidade. Ver Sorgner e Ranish: Post- and Transhumanism: an introduction, 2014.

[8] O fim do estilo na cultura pós-humana. Disponível em:   http://abciber.com/publicacoes/livro1/textos/o-fim-do-estilo-na-cultura-pos-humana. Acesso em 14/04/2014.

[9]   A filósofa Francesca Ferrando propõe que a metodologia “Contra o método” de Feyerabend se aproxima da metodologia do pós-humanismo (2012, p.11).

[10] Ao querer identificar a arte produzida neste movimento pós-humano em contexto brasileiro, penso em artistas que desenvolvem suas obras a partir da arte digital, arte transgênica e biológica como Eduardo Kac , brasileiro residente em Chicago (EUA) e a artista e pesquisadora Diana Domingues .

[11]  Neste ensaio, não entrarei nas questões sobre a infância nos países ditos de “primeiro mundo”.

[12]  Apud Vicini, 2011 – tese de doutorado (PUC – SP), p.119.

[13] Edward Lucy-Smith (1933) é escritor, curador, crítico e fotógrafo de arte.

[14]  É preciso lembrar que o período de 1950, o movimento dos muralistas mexicanos: Siqueiros e Rivera, bem como os aspectos da arte latino-americana envolvendo artes plásticas, cinema, teatro, foram levantados por Néstor García Canclini (1984) em seu livro “A socialização da arte”, no qual enfatiza as características de uma Arte Social.

[15]  LAFER, Celso (1998); BONAVIDES, Paulo (1997); BEDIN, Gilmar A. (1998) e SARLET, Ingo W. (1998).

[16]  Segundo Bonavides e Ramos (apud Wolkmer,2003, p.6).

[17] Disponível em: http://www.who.int/violence_injury_prevention/violence/activities/child_maltreatment/en/.

[18]  Violência infantil, uma triste realidade -10/10/2012. Disponível em: http://www.hojeemdia.com.br/m-blogs/r%C3%A1dio-patrulha-1.530/viol%C3%AAncia-infantil-uma-triste-rea....

Acesso em 30/03/2014.

[19]    Violência infantil, uma triste realidade -10/10/2012. Disponível em: http://www.hojeemdia.com.br/m-blogs/r%C3%A1dio-patrulha-1.530/viol%C3%AAncia-infantil-uma-triste-rea....

Acesso em 30/03/2014.

[20]  Executivo da UNICEF, Anthony Lake. Disponível em: http://www.unicef.pt/violencia-republica-centro-africana/. Acesso em: 112/08/2014.Disponível em: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/04/brasil-registra-3-denuncias-por-hora-de-violencia-se....

[21] (Maturana e Varella) ROMESÍN e GARCÍA (1997).